Buscar
  • Rodolfo Bontempo

MP vê compra de votos na campanha e pede cassação do mandato de Rodrigo Paixão

Processo aguarda sentença de juíza eleitoral, que pode sair em até um mês

O clima é de expectativa na classe política de Vassouras. Embora não haja um prazo obrigatório estipulado, a juíza eleitoral Flávia Beatriz Borges Bastos de Oliveira deve apresentar, até meados de setembro, a sentença a respeito do processo movido pelo Ministério Público Estadual contra o vereador Rodrigo Paixão (PMDB), acusado de abuso do poder econômico e compra de votos nas eleições municipais do ano passado. O Ministério Público pede a cassação do diploma e a consequente perda do mandato do parlamentar.

Para a promotora eleitoral Ivany de Souza Bastos, não há dúvidas: Rodrigo Paixão elegeu-se em outubro de 2016 a partir de “captação ilícita” de votos. Em seu relatório, a promotora afirma que “há comprovação” de que Rodrigo Paixão tenha comprado votos em 2016. No dia das eleições, um cabo eleitoral de Rodrigo foi detido em Barão de Vassouras transportando um eleitor.

Com o cabo eleitoral, a polícia encontrou cédulas da campanha de Rodrigo Paixão e 694 reais trocados em notas de pequeno valor. Segundo o MP, este dinheiro seria utilizado para comprar votos para o vereador. Além dos santinhos, a polícia encontrou um caderno com anotações com o nome de eleitores, com os respectivos números de suas seções eleitorais. Rafael de Souza, dono do carro, admitiu ser cabo eleitoral de Rodrigo, mas negou a compra de votos.

Eleitores citados na lista apreendida pela polícia no dia da eleição, no entanto, confirmaram a irregularidade. Um dos eleitores afirmou que Rodrigo Paixão “prometeu a seu filho sacos de cimento, além de ter oferecido a benesse a vizinhos seus”. O eleitor disse à Justiça ter votado em Rodrigo por conta dos favores oferecidos. O mesmo eleitor garante ter visto o cabo eleitoral detido oferecendo 100 reais e depois 200 reais a seu filho, que também teria votado em Rodrigo Paixão.

Um outro eleitor garantiu à Justiça que Rodrigo Paixão realizou uma reunião em sua casa e pediu à sua família que fizesse uma lista de suas necessidades. As necessidades seriam providenciadas por Paixão em troca de voto em 2 de outubro do ano passado. Segundo a testemunha, todos os familiares presentes à reunião forneceram os números de seus títulos de eleitores ao candidato e ao cabo eleitoral. Na véspera da eleição, Rodrigo teria retornado à residência onde ocorreu a reunião, entregando metade do dinheiro acordado com a família. Garantiu que no domingo, dia da eleição, voltaria com o restante após o resultado da eleição. O cabo eleitoral teria, então, pago 200 reais ao chefe da família. No domingo, Rodrigo Paixão eleito, ninguém retornou à residência para cumprir o restante da promessa.

Ainda segundo o relatório, “diante de todas as provas carreadas nos autos, verifica-se que o candidato Rodrigo Paixão, com o auxílio de Rafael Souza, entregou dinheiro em troca de votos em seu favor, na eleição do dia 02/10/2016, tendo o acervo de provas elementos consistentes no sentido desta prática ilícita pelo Representado, além do fato de ter sido constatado pelos policiais militares que procederam à averiguação da denúncia e detiveram Rafael de Souza, que tinha a posse de todos os materiais descritos nas cópias anexas e nas linhas acima”. Ivany de Souza Bastos termina o relatório pedindo a cassação do mandato de Paixão. “(...)evidente a captação ilícita de sufrágio, razão pela qual, requer o Ministério Público a procedência do pedido, impondo ao representado a pena de multa e a cassação de seu registro de candidatura ou, supervenientemente, de seu diploma”.

A defesa de Rodrigo Paixão apresentou três testemunhas: um policial militar que afirmou ter estado na casa de uma das famílias citadas no processo e garante não ter ouvido nenhuma promessa de benesses por parte do candidato. A testemunha garante ter votado em Paixão por entender que o seu mandato traria “benefícios à comunidade na área da Saúde” já que Rodrigo é médico, além dos vereadores Kiko Brando (PMDB) e José Maria Capute (PHS). Os dois parlamentares foram na mesma linha: desqualificaram o cabo eleitoral. Capute chegou a classificar Rafael Souza de “lixo humano”.

Se a juíza eleitoral de Vassouras decidir pela cassação do mandato de Rodrigo Paixão, o caso segue para o Tribunal Regional Eleitoral. Até o julgamento por aquele colegiado Paixão seguiria normalmente atuando como parlamentar.

1,064 visualizações

TRIBUNA DO INTERIOR EDITORA LTDA. Registro  Estadual nº 3320598969-9

Inscrição Municipal nº 6813 L 115 - CNPJ 02.528.144/0001-40

Registro na ADJORI – RJ 78 

Redação, Administração e Oficinas – Rua Profº Marcelo de Alcântara Pinto, 173,

Telefone: (24) 2471-7822

Parque J.K., Vassouras - RJ - CEP 27.700-000

Contador de acessos