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  • Rodolfo Bontempo

Índio Amigo prepara programação ampla para celebrar seus 40 anos de fundação

Fundadora da escola, apaixonada pelo Magistério, Regina Helena segue em sala de aula, vibrando com “o desenvolvimento das crianças”


O ano será de muitas comemorações no Jardim Escola Índio Amigo. A escola que nasceu dos sonhos de uma jovem professora apaixonada pelo Magistério chega aos 40 anos. Nascido Indiozinho em um ex-depósito do antigo Colégio de Vassouras, ainda sob a direção do ex-prefeito Narciso Silva Dias, o colégio cresceu e já “educa para a inteligência” a terceira geração de vassourenses. “Comecei no Colégio de Vassouras com 14 anos. Dr. Narciso estava às voltas com uma eleição e eu propus a ele abrir uma escola para crianças. Ele cedeu o antigo depósito. Eu mexi no piso, fiz umas mudanças e surgiu, em uma sala do Colégio de Vassouras, em 1978, o Indiozinho”, lembra a professora Regina Helena de Freitas, fundadora, diretora e professora até hoje da escola, que anos depois se tornaria o Jardim Escola Índio Amigo. Regina trabalhou e estudou no Colégio de Vassouras. Teve aulas com a fundadora do educandário, Maria José Rangel de Araújo. Dos tempos de aluna e do início de carreira, Regina traz os exemplos de profissionais inesquecíveis, como as professoras Maria das Neves e Carminha Mandaro. “Exemplo é o que vale”, comenta, com carinho, em relação às referências profissionais. A linha pedagógica que ela seguiria, no entanto, ela teria contato na Gávea, zona sul do Rio, nos anos 1970. “Foi em uma escola chamada Toca do Coelhinho, uma escola piagetiana”. Um dos maiores pensadores do século XX, Piaget se contrapôs à educação autoritária do século XIX. O conhecimento então deixava de ser transferido do professor para o aluno no velho estilo do “professor que dita e o aluno que copia”. Piaget defendia que o conhecimento surgia não da simples transferência, mas da interação entre aluno e professor. A influência de Piaget no Índio Amigo está em tudo e se anuncia logo no slogan da escola, “ensinando para a inteligência”. O Indiozinho deixou o Colégio de Vassouras e se transformou em Índio Amigo em 1981, quando se transferiu para a Rua Dr. Fernandes. Em 1986 a escola chegava à sede atual, na Rua Visconde de Araxá. “Viemos para cá provisoriamente e estamos aqui até hoje”, lembra Regina. Nesse tempo, Regina e o Índio Amigo construíram uma educação diferente da tradicional. Para a professora, não há nada mais importante do que enxergar a evolução de seus alunos. “Gosto de ver as crianças se desenvolver. Na escola ou fora dela, vibro com o desenvolvimento deles. Hoje vejo ex-alunos de cabelos brancos trazendo crianças para a escola e dizendo que nunca se esqueceram do Índio Amigo”. Na escola, esses ex-alunos aprenderam bem mais que o conteúdo obrigatório. Antes mesmo de o tema virar moda em Vassouras, o Índio Amigo promoveu campanhas de reflorestamento. “Eu olho daqui e vejo árvores lá no Morro da Torre que a gente plantou”, diz Regina. Em várias ruas de Vassouras árvores foram plantadas por Regina e seus alunos. “Saíamos pela Otávio Gomes, cavando e plantando árvores até o Madruga”. A professora lembra de momentos pitorescos. Copa do Mundo 2002, último título mundial da seleção brasileira. A escola convidou os alunos para assistirem aos jogos da seleção unidos. “Lembro que um dia eles chegaram, eufóricos e fazendo força para não dormira. Mas o jogo era às 3h30 e quando começou, ninguém conseguia acordá-los para ver”. Agora, a escola se prepara para, em março, lançar o seu Laboratório Vivo, na Rua General Osório. No terreno, a ideia é haver distribuição de mudas e iniciativas baseadas na permacultura, o sistema que prevê a criação de ambientes humanos sustentáveis e produtivos em harmonia com a natureza. Dia 23, os eventos para comemorar os 40 anos serão lançados, com a inauguração do Laboratório de Informática. “Preparamos uma programação ampla, que vai celebrar a data durante todo o ano, com destaque para abril, quando teremos um Dia do Índio especial”, comenta a coordenadora Danielli Bertholoto, dez anos de Índio Amigo. Na programação, muito teatro, a inauguração do Cantinho Vassouras Um espaço para conhecer o município e a Olimpíada Conhecer Vassouras. A história local, aliás, é uma paixão de Regina, que em 2011 lançou o livro História de Vassouras para Crianças, utilizado com os alunos do 4º e 5º ano da escola. Uma exposição sobre os 40 anos do colégio vai percorrer a cidade, utilizando espaços como a Câmara, supermercados e até outras escolas. Afinal, a escola que nasceu adaptando um depósito já educa a terceira geração, tem cerca de 150 alunos da creche ao 5º ano do Ensino Fundamental e é um marco na educação vassourense graças à paixão de uma professora pelo Magistério. Hoje, Regina, que segue em sala de aula lecionando Filosofia, dirige mais de 30 profissionais. Coordenadora do Índio Amigo, há um ano na função, a professora Débora Guarini resume a importância de Regina Helena para a escola. “A Regina sabe muito, é muito culta. Conhece muito de escola. Pensa muito, respira a escola. A vida dela é o Índio Amigo. Essa é a história dela”. Indagada se tanta dedicação valeu a pena, Regina Helena pensa e não demora a responder: “Quando eu vejo o depoimento de ex-alunos, tenho certeza que valeu a pena”.

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