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  • Rodolfo Bontempo

Inaugurado por Lucinha Araújo, Centro Cultural eterniza relação de Cazuza com Vassouras.

Mãe do cantor investiu mais de 3 milhões de reais em reforma de antiga Casa de Cultura, que ganhou espaço de exposição e salas multimídia.

Quando ainda nem sonhava em ser um dos mais festejados poetas do rock nacional, o menino carioca Agenor de Miranda Araújo Neto passeava pelas ruas de Vassouras durante suas férias escolares e feriados prolongados. Se fizesse bagunça, contava com uma aliada ilustre: a avó Maria Araújo, fundadora do Ginásio de Vassouras, para que tudo não fosse chegar aos ouvidos da mãe, Lucinha, vassourense como o pai, João Araújo, produtor musical que fez uma carreira vitoriosa na Som Livre, com direito a prêmio Grammy pela contribuição à música brasileira. “Nessas ruas, junto com os primos, fez muitas artes, que sua avó Maria, fundadora do Ginásio de Vassouras, se recusava a revelar. A mim, memórias não faltam da cidade: mãe, marido e filho estão ligados a ela”.

Por obra de Lucinha, a relação da família Araújo com Vassouras está eternizada. Ano passado, Lucinha telefonou para a Prefeitura. Preocupada com a situação do prédio da Casa de Cultura Presidente Tancredo Neves – interditado por problemas estruturais desde 2013 --, disse ao prefeito Severino Dias Filho que queria fazer uma doação a Vassouras. O prefeito lembrou deste dia na sexta, dia 11, durante a reservada cerimônia que marcou a reinauguração do espaço, agora rebatizado com o nome do neto de dona Maria Araújo. “Fui surpreendido com a ligação de Lucinha Araújo falando em fazer uma doação para Vassouras”, afirmou em seu discurso. “Ele pensou que fosse dinheiro para o município”, brincou Lucinha. Apaixonada pelo prédio, onde nasceu 81 anos atrás, Lucinha Araújo queria reformá-lo para devolvê-lo aos vassourenses novo e plenamente equipado como um espaço cultural. O PAC das Cidades Históricas, aquele mesmo que muitos vassourenses já avaliavam não servir para muita coisa, agilizou a solução: o Iphan já havia investido 600 mil reais em um projeto de reforma para o edifício. Assim, com o projeto pronto, a obra pôde ser iniciada e entregue menos de um ano depois do telefonema de Lucinha ao incrédulo prefeito.

O prédio reformado foi construído na década de 40 do século XIX. Inaugurado em 1845, tem estilo neoclássico e integra o conjunto tombado pelo Iphan em 1958, coincidentemente o ano de nascimento de Cazuza. Ali viveu, por exemplo, Francisco José Teixeira de Souza, genro do Barão de Itambé. O edifício foi sede de clubes e colégios até se tornar propriedade do município de Vassouras nos anos 1970. Prefeito responsável pela compra do imóvel, Pedro Ivo da Costa participou da reinauguração ao lado da mulher, Alexina Madruga.

A obra garantiu a restauração da casa principal, a construção de um anexo com elevador, instalação de novos banheiros e paisagismo da área externa. O projeto levou acessibilidade ao prédio, além de implantar novos usos para os ambientes internos, que ganharam espaço de exposição, salas multimídia, biblioteca e uma ala permanente em homenagem a Cazuza, onde o visitante poderá conhecer objetos, roupas, documentos e prêmios do artista, que completaria 60 anos em 2018. Diferente do que chegou a ser falado na cidade, Lucinha Araújo não pediu para que a casa ganhasse o nome do filho. A ideia partiu do prefeito, que não viu problemas em retirar do espaço o nome de Tancredo Neves. “O mínimo que eu posso fazer é dar o nome de Cazuza à nossa Casa de Cultura. E eu posso fazer com tranqüilidade, já que foi meu pai quem deu o nome atual”, chegou a dizer Severino em encontro público com Lucinha, no ano passado. A única exigência de Lucinha foi que o busto da sogra, há décadas instalado no antigo Ginásio de Vassouras, fosse colocado no prédio. O pedido, evidentemente, foi aceito.

A cerimônia que marcou a inauguração do Centro Cultural Cazuza contou com a presença da presidente nacional do Iphan, Kátia Bógea, além de representantes do órgão no Rio e na região, como as arquitetas Isabel Rocha e Luciana Pappacena, chefe do escritório técnico de Vassouras. Kátia discursou enaltecendo a parceria do Iphan com a iniciativa privada, saudando o investimento da Sociedade Viva Cazuza. Lucinha Araújo explicou, no entanto, que o investimento não foi da ONG e que a obra foi feita com seus recursos próprios. A bênção ao espaço foi ecumênica: ministrada pelo padre José Antônio da Silva e o pastor Vítor Rocha. Vereadores do município e o deputado estadual André Corrêa também participaram do evento.

Lucinha Araújo fez questão de registrar o carinho com a cidade, mesmo que seu gesto já deixasse isso claro. “Hoje é um dia especial para mim. Sempre tive muito orgulho de ter nascido em Vassouras e poder retribuir um pouco do que essa cidade me deu me faz sentir uma cidadã mais participativa. Minha vida sempre foi marcada por coincidências e emoções fortes”. Ela disse ainda que não se considera uma mulher especial. “Costumo dizer que não sou uma Madre Teresa ou uma mulher especial. O trabalho que realizo na Viva Cazuza é mais importante para mim do que para as pessoas que acolhemos e ajudamos. Com esse espírito entrego a vocês um pouco de minhas crenças, um pouco do meu filho e principalmente a esperança de que o Centro Cultural Cazuza sirva de incentivo e inspiração para os jovens que venham a freqüentá-lo”.

Se a cerimônia oficial foi fechada, Lucinha Araújo compartilhou com seus conterrâneos a alegria com a recuperação de um prédio tão importante para a cidade. Na sexta, Sandra de Sá cantou na Praça Barão de Campo Belo lotada. No sábado, o Bloco Exagerado interpretou sucessos de Cazuza e Gilberto Gil emocionou o principal cartão postal da cidade com o seu talento. Lucinha e familiares acompanharam os shows atentamente. O Centro Cultural Cazuza está aberto ao público desde a segunda, 14, das 9 às 16 horas.

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