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  • Rodolfo Bontempo

Tribuna publica série de artigos de Marco Capute

O ensino no Brasil precisa mudar. É nossa obrigação privilegiar a qualidade.



Como presidente da Fundação Educacional Severino Sombra, vira e mexe preciso responder a jornalistas sobre como eu enxergo a Educação nos dias de hoje. Sempre digo que vejo a Educação com muita preocupação. O sistema educacional no Brasil é muito falho. Acho que a gente deveria garantir, o governo deveria garantir, um bom Ensino Fundamental e Médio. Igualdade para todos. Isso é uma coisa que temos de lutar para conseguir: investimento em Educação deveria ser prioritário. Porque isso vai gerar riqueza para o país. Você aumenta a produtividade, você aumenta tudo quando tem um funcionário que consegue produzir. Garantido o Ensino Fundamental e Médio de qualidade para todos, a gente tem de pensar na graduação e pós-graduação. O país deveria fazer uma revisão de como graduar. Uma análise de qualidade de cada faculdade, de cada universidade. Para saber se ela tem realmente condições de ter aqueles cursos ofertados no mercado. Porque não é quantidade que vai fazer o Brasil melhorar. Precisamos de qualidade. Não adianta dar um diploma para cada um e todo mundo trabalhando com o diploma debaixo do braço sem saber absolutamente nada do que deveria saber um engenheiro, um economista ou um médico. Tem faculdade de Medicina fazendo verdadeiras barbaridades… Assumimos a presidência da Fundação em meio a uma crise econômica muito grande, mas nunca desviamos a atenção da questão da qualidade. Nós fizemos a recuperação econômica sem nos descuidarmos disso. A visão de qualidade de ensino sempre foi o nosso foco. Nós somos uma das poucas universidades privadas que possui um hospital próprio para poder formar profissionais de Saúde com maior qualidade. Isso é um diferencial enorme. E nós estamos muito preocupados com isso, com a qualidade. Estamos montando um sistema de educação muito próximo do que consideramos ideal. Para trazer os melhores alunos para cá. Isso pode até nos custar alunos, porque muitos podem querer ir para um lugar mais fácil. Mas ele pode ir para um lugar mais fácil e depois passar a vida toda desempregado. O aluno que eu quero trazer para cá vai sair com a garantia de que terá emprego. Ele vai estar formado de maneira superior. Ele vai estar formado para o mercado. Estamos mudando todas as nossas ementas para uma visão de mercado. Eu acho até que podemos ter um baque de alunos, mas nossa qualidade vai sobrepujar tudo isso. As pessoas vão querer estudar aqui, pela qualidade. Eu acredito que o ensino no Brasil deveria mudar muito. Deveria privilegiar a qualidade. Um Ensino Fundamental e Médio bem feito é melhor que uma faculdade sem qualidade. Nós precisamos ter um ensino, tanto público quanto privado, de alto nível no Fundamental e Médio. Você prepara um rapaz de 14, 15 anos que saiba o que vai fazer. Não é botar número em estatística. Isso já foi tentado com o Mobral e não deu certo. Na minha opinião os governos investem erradamente. Temos que encarar seriamente um debate sobre a possibilidade de todo o ensino de graduação e pós-graduação ser pago. Seja em entidades públicas ou privadas. Por conta própria ou através de financiamentos que seriam pagos depois que os profissionais estivessem formados. Assim, a médio prazo, sobrariam recursos da graduação e pós-graduação a serem investidos no Ensino Fundamental e Médio. Desta maneira, as entidades públicas aprenderiam a viver de mensalidades, o que possibilitaria uma administração profissional e com metas claras de aplicação de seus recursos. A ideia central deveria ser essa, mas cuidando das exceções, não cabendo aqui discussões de cunho sindical e defesas baseadas em interesses pessoais. Algumas carreiras deveriam ter financiamento público muito sério, coerente, não de qualquer maneira. Primeiro, tem de haver uma limpeza no sistema de ensino. Depois a gente tem de estabelecer um sistema deste tipo. A gente tem de unir, na verdade, o que é importante para o crescimento nacional. A questão da pesquisa é muito séria. Tem verba disponibilizada que não chega onde deveria chegar. Tem muita pesquisa feita e abandonada. Tem de haver uma ligação melhor entre a empresa e universidade, para que cada vez mais a gente vá produzindo coisas que levem o Brasil a um desenvolvimento maior neste sentido, com um aumento de produtividade para fazer o país mais competitivo em vários setores. Não podemos esquecer: temos que adaptar o ensino a uma nova realidade tecnológica e psicológica que vivemos. Como tirar proveito disso? Como estimular novas práticas de ensino? Como construir o conhecimento adaptado ao mundo atual?


Marco Antônio Vaz Capute é engenheiro eletricista, graduado pela Uerj, pós-graduado em administração pelo COPPEAD/UFRJ, com curso de extensão em Marketing Estratégico pela Harvard Business School. Por 29 anos atuou na Petrobras, onde ingressou por concurso público. Desde 2012 preside a Fundação Educacional Severino Sombra.

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