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  • Rodolfo Bontempo

Cerimônia marcou inauguração da restauração da Fazenda Santa Eufrásia

Foram investidos quase 11 milhões de reais na única fazenda tombada em Vassouras; restauração deixa legado na preservação do patrimônio da região

Após 447 dias corridos de obra e investimentos da ordem de R$ 10,9 milhões de reais, uma cerimônia na tarde da quinta-feira, dia 1º de agosto, marcou a inauguração da reforma da Fazenda Santa Eufrásia (Km 42 da RJ 127, entrada da Toca dos Leões). O evento contou com a presença do prefeito Severino Dias, da chefe do escritório técnico do Iphan no Vale do Paraíba, arquiteta Luciana Pappacena e representantes da NTS (Nova Transportadora do Sudeste S/A), a empresa responsável pela contratação da obra. Construída por volta de 1830, a Fazenda Santa Eufrásia é a única fazenda tombada pelo Patrimônio Histórico no município de Vassouras – em todo o Vale, só há mais uma fazenda tombada: a Santa Mônica, em Barão de Juparanã. Um livro contando a história da restauração foi lançado e distribuído aos presentes.

A restauração da Fazenda Santa Eufrásia foi definida como medida compensatória por conta do traçado do Gasoduto Gasbell II atravessar as terras da fazenda, a partir de uma ação do Escritório Técnico do Iphan no Vale do Paraíba e do Ministério Público Federal de Volta Redonda. Responsável pela administração do gasoduto, a NTS investiu na restauração. A partir de projeto aprovado pelo Iphan e assinado pelos arquitetos Paulo Parrilha e Manoel Vieira, a NTS contratou empresas consagradas na área de restauro: a Construtora Biapó e o CEP 28 (Centro de Estudos e Pesquisa).

Falando em nome da família proprietária da fazenda, o médico cardiologista José Werneck agradeceu o empenho da arquiteta Isabel Rocha. “Se não fosse o empenho da Isabel, não conquistaríamos a restauração”. Werneck elogiou o trabalho das empresas que trabalharam na obra e chegou a fazer piada com o trabalho meticuloso desenvolvido na fazenda histórica. “Houve um dia em que cheguei e vi tanto buraco, que pensei: ‘acabaram com a fazenda’. Mas eles cumpriram o prazo e cheguei a contar 100 operários trabalhando na obra.” A fazenda foi “esburacada” para que seu solo fosse estudado.

Presidente da NTS, Wong Loon declarou que a empresa entregou a obra com a certeza do dever cumprido. “Com a conclusão das obras de restauro, a NTS, além do sentimento de dever cumprido, orgulha-se de ter contribuído de forma decisiva para a preservação da memória nacional e para o valor histórico, artístico e cultural brasileiro”. Todos os números que envolvem o restauro são superlativos . Em 447 dias corridos de obra, cerca de 90 pessoas envolvidas. Cerca de 6 mil adobes foram produzidos, em torno de 1.120 m2 restaurados.

Programas sociais foram tocados durante o restauro, como um programa de alfabetização de jovens e adultos trabalhadores que matriculou 13 operários. O Canteiro Aberto contou com programação de ações científicas, culturais e artísticas, alcançando um público de 390 visitantes registrados, entre estudantes, instituições culturais e moradores de Vassouras e região. A empresa priorizou o comércio da região na hora de comprar o material utilizado no restauro. Nenhum acidente foi registrado durante as obras. Como legado, a restauração deixa ainda o aprendizado de técnicas de restauro pela mão de obra local. Alunos de arquitetura puderam aprofundar o conhecimento prático de técnicas de restauro como fabricação de adobe, técnicas de pau a pique, dormente ecológico. Outro legado foi a edição de um livro sobre as obras de restauro.

Autoridades e nomes ligados à cultura e à indústria do turismo participaram da inauguração, como o presidente da Fundação Educacional Severino Sombra, engenheiro Marco Capute, o secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo do município, Wanderson Farias, a vereadora Rosi Farias, a ex-secretária de Cultura de Vassouras Marta Fonseca. A arquiteta Isabel Rocha, citada por José Werneck, esteve ao lado da atual chefe do escritório técnico do Iphan, Luciana Pappacena e do ex-superintendente do órgão no estado do Rio de Janeiro, Carlos Fernando Andrade.


Fazenda Santa Eufrásia


Nome de romana católica, da Ásia Menor.

Ou flor muito utilizada na homeopatia.

Eufrásia, não a Teixeira Leite, mas a Santa.

Não a da Casa da Hera.

Mas da mãe do Comendador Ezequiel Araújo Padilha.

Essas terras foram muito disputadas por partes antagônicas.

Da Fazenda de Santa Cruz, dos Jesuítas à corte imperial

Insere-se o desbravamento do Vale do Paraíba.

Desde a expulsão dos índios até a escravização dos negros.

Da cana de açúcar à efemeridade da economia do café.

Do bosque, da madeira ao fruto, o abastecimento.

Ao açude, água fonte da vida e da força motriz.

Do armazém, dívida eterna de seus fregueses e escravos.

À casa, dividida em dois trechos pela rixa.

Do luxo discreto de uma nobreza não adquirida.

À vida dura e rígida na roça, na incerteza da colheita.

Até a falência no Encilhamento, à execução da hipoteca.

O coronelato substituindo a nobiliarquia rural.

Cada um desses aspectos pode ser visitado, questionado, pensado.

Hoje, os remanescentes arquitetônicos históricos estão restaurados, graças a ação do Escritório Técnico do Médio Paraíba, do Iphan RJ junto à NTS e do Ministério Público Federal em Volta Redonda.

A propósito, a Fazenda foi tombada pelo Iphan em 22.01.1970, Livro de Tombo Histórico (registro número 424, fls. 69) através do Processo 789-T-67, tombamento a pedido de Alzira Lemos e sua filha Alzira Inglês de Souza. No tombamento estão inclusos ainda o Açude, o bosque e o acervo móvel.


Isabel Rocha, doutora em Ciência de Arquitetura, em Fazenda Santa Eufrásia A restauração de um patrimônio

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