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  • Rodolfo Bontempo

Vassouras perdeu Maurice Perron para a covid-19

• Ex-pároco da Matriz de Nossa Senhora da Conceição

morreu na sexta-feira, no CTI do Hospital Universitário

Vassouras perdeu um apaixonado exatamente no Dia dos Namorados. Na tarde da sexta-feira, 12 de junho, morreu o padre Maurice Perron. Aos 82 anos, o canadense ordenado padre em Valença em 1968 perdeu a luta para a covid-19 no CTI do Hospital Universitário. Nos últimos anos, Maurice se dividia entre a região e a terra natal. Ficava um ano no Canadá e outro no Brasil, entre Vassouras e Valença. Maurice Philippe Perron foi enterrado em Valença, em uma cerimônia restrita a lideranças da Diocese, no sábado, 13. A despedida pública, transmitida pelas redes sociais da igreja, foi celebrada por cinco padres, entre eles o pároco de Vassouras, José Antônio da Silva, e o bispo da diocese de Valença, Dom Nelson Francelino Ferreira. Em nota oficial, a Diocese de Valença ressalta a relação de Maurice com a região. “Veio para o Brasil ainda jovem e aqui na Diocese de Valença foi ordenado sacerdote. Era brasileiro e valenciano de coração, grande conhecedor e incentivador do Movimento Cursilho de Cristandade e das equipes de Nossa Senhora”. A nota destaca a declaração da coordenadora do Conselho Comunitário da Matriz de Nossa Senhora da Conceição, de Vassouras. Para Judira Rodrigues Dias, Maurice morreu onde gostaria. “Hoje padre Maurice encerrou sua vida terrena aqui, onde ele queria”, afirmou, lembrando o amor do padre por Vassouras e Valença. Ordenado padre em 1968, na Catedral de Nossa Senhora da Glória, em Valença, Maurice Perron foi o primeiro pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, naquela cidade. Padre Medoro, em carta lida por Dom Nelson na missa de corpo presente, lembra do orgulho do religioso em fazer parte de gerações de valencianos. “Batizei 30 mil valencianos”. Em Valença, criou a Pastoral da Saúde e era conhecido por visitar enfermos, no hospital e em suas residências. Em pouco tempo o canadense de Quebec se adaptou à cultura brasileira. Padre Medoro lembrou que foi ele o primeiro padre, com autorização da Diocese, a brincar o Carnaval de Valença. Padre Maurice chegou a Vassouras nos anos 1980. Apoiou o crescimento de pastorais como a da Saúde e a Universitária. Orgulhava-se de fazer parte da vida de gerações de vassourenses, a quem batizou, deu primeira comunhão e celebrou casamentos. Em Vassouras, não esqueceu a proximidade com a cultura brasileira. “Com ele, através do casal Inês e Geraldo, da comunidade de Nossa Senhora do Rosário, iniciamos a nossa participação no carnaval, no extinto Turma dos Fanáticos, que ele observava de perto, acompanhava os ensaios e aplaudia o bloco familiar”, lembra a professora Fátima Guimarães, a Fatinha, dirigente da comunidade de São Sebastião, no Grecco. Para Fatinha, o principal aprendizado com Maurice foi entender “que a vida do cristão pode ser marcada por momentos bons e ruins, mas a sua essência de cristão não pode ser perdida”. Padre Maurice foi internado no HUV no domingo, dia 31, com um quadro gripal. Em Vassouras, Maurice se hospedava na casa de uma família no Grecco. “Por várias vezes ele citou como estava feliz com o crescimento da comunidade, com leigos engajados, jovens e crianças participando. Fazia questão de celebrar conosco cada vez que vinha a Vassouras. Chegava cedo para batizar, nos aguardava na porta para cumprimentar. Deus quis que ele estivesse conosco até a sua Páscoa. Somos gratos por isso”. Ministra de Batismo na mesma comunidade, Gilmara de Almeida Brito lembra que o padre adorava celebrar batismos. “Ele dizia que este sacramento de acolhida é muito importante e que no Canadá não celebrava batizados. Tinha sempre uma palavra de incentivo para a equipe de animação, gostava de missa com muitas músicas. A comunidade do Grecco pode se considerar abençoada por ter contado com a sua presença em diversas ocasiões, levando sua palavra de fé, amor e de serviço aos mais necessitados”, afirma. Apaixonado por Vassouras, padre Maurice morreu aqui, no Dia dos Namorados, como se lembrasse ao vassourense que, apesar da flexibilização, o novo coronavírus segue tirando vidas. Que Vassouras e Valença entendam o alerta.

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