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Para Severino, obras em galerias impedirão novas enchentes em Vassouras

Obras devem começar em abril a partir da Broadway;

prefeito avalia que investimento fique em torno de 800 mil reais

O prefeito Severino Dias (PPS) garante ter o diagnóstico para evitar que o município de Vassouras volte a sofrer com enchentes como a da terça-feira, 27 de fevereiro, que levou o terror a moradores de várias ruas na Residência e prejuízos a comerciantes do Centro da Cidade. Na avaliação do governo municipal, obras nas galerias que canalizam o riacho que atravessa a cidade devem evitar novos problemas nos pontos enxergados como críticos: o Centro e a Residência. “Conversei muito com os engenheiros da Prefeitura, com funcionários antigos da Secretaria de Obras. Há um consenso que o que precisamos fazer primeiro é mexer nas galerias no Centro. Na Broadway, as galerias são de 3 por 3. Embaixo da Rodoviária Velha, elas são de 1 X 1. Vamos precisar mexer nisso a partir da Toca até a Rua da Feira”, diz o prefeito. Ainda segundo o prefeito, uma intervenção também precisará ser feita no bairro da Residência. “Vamos mexer primeiro no Centro e, depois, na Residência. Lá, vamos precisar aumentar a boca das manilhas.” O prefeito garante que a enchente da terça-feira passada não aconteceu por conta de falta de empenho da Prefeitura na limpeza do córrego. “Coisa de vinte dias atrás limpamos as galerias e os bueiros nas proximidades do Esporte Clube XV de Novembro, na Residência. Na Rua do Gás, na altura do Demarzinho, eu mesmo estive junto com o operador. A limpeza vem sendo feita, pode ter certeza disso”, afirmou o prefeito em entrevista por telefone concedida à reportagem da TRIBUNA DO INTERIOR na tarde da quinta-feira, 1º de março. De acordo com Severino Dias, na quarta-feira, um dia após as enchentes levarem pânico aos moradores da Residência, a Prefeitura realizou limpeza no córrego. “Posso te garantir que não há galerias entupidas. Temos filmes que mostram isso. Mas choveu muito e a água que vem da Broadway não encontra vazão nas galerias em baixo da Rodoviária Velha. Essa obra deveria ter sido feita há 20 anos e vamos realizá-la com recursos próprios da Prefeitura a partir de abril. Não podemos mexer nisso agora, no período das chuvas”. As obras devem custar 800 mil reais aos cofres da Prefeitura. Depois das obras no Centro, o governo municipal deverá investir na Residência e em campanhas educativas. O prefeito pensa, inclusive, em mandar uma lei à Câmara para punir quem jogue entulho pelas ruas. “Depois das chuvas, nossa equipe encontrou um colchão atrás do XV. Perto do Demarzinho já encontrarmos armário e até microondas. Temos nossa responsabilidade como gestor da cidade, mas vamos precisar da colaboração da população. Vamos investir em uma campanha educativa e pensamos em mandar uma lei para a Câmara que puna o descarte irresponsável de entulhos”, diz o prefeito. “Precisamos evitar lixo nos rios, lixo nas ruas”. Até que as obras comecem, a Prefeitura estará de alerta ligado com as chuvas de março, as que historicamente fecham o verão. “Já vínhamos tomando as providências e nossa atenção estará redobrada depois das chuvas da terça-feira. Nossa turma estará nas ruas, com caminhão de sucção para ajudar na limpeza. Espero que não tenhamos mais chuvas como a de terça-feira, mas a Prefeitura continuará a dar todo apoio a cada família vassourense que precise”. Na Residência, terça-feira de terror A dona-de-casa Lia dos Santos, a irmã Lia, 58 anos, recebeu a reportagem da TRIBUNA DO INTERIOR sentada na parte de madeira do sofá, sem o estofado. As almofadas são apenas a parte mais visível da série de pertences que foram perdidos com a enchente da última terça-feira. “Não deu para aproveitar, fedia muito. Jogamos fora”, lembra a dona de casa que viveu momentos de terror com a água subindo rápido no imóvel que ocupa no número 80 da Rua Pio XII, na Residência. Lia, que mora no local desde 1980, disse nunca ter visto tanta água como na terça-feira. “Tivemos uma enchente séria em 1985. Foi em março e causou muito transtorno, mas a desta semana foi mais forte”, garante. Irmã Lia estava em casa com filhos, nora e um neto, bebê de colo, quando a água começou a subir. “Tinha subido bastante no domingo, mas a gente não acreditava que ela pudesse subir ainda mais”, comenta Renata, a filha que visitava Lia. Na rua, a água subia rápido e colocava o carro de Renata em risco. Ela levantou, foi estacionar o carro em um lugar mais alto e não pôde mais voltar para a casa. “Foi o tempo de tirar o carro. Quando voltei, uma correnteza forte me impedia de entrar em casa”. Por sorte, a nora de Lia já saíra com o bebê de colo. A água subia. E Lia seguia em casa. “Não tem muito o que fazer, mas na hora a gente sempre acha que pode fazer alguma coisa se ficar em casa”. Ela notou que tudo estava fora de controle quando viu a geladeira e o botijão de gás boiando pela casa. “Eu fiquei preocupada com o cachorro e coloquei ele em cima da mesa. Mas ele não queria ficar longe de mim. Ficou em pé, na sala, abraçado comigo”. Quando lembra desse momento, Irmã Lia chora. Felipe Rocha, 28 anos, filho de Irmã Lia, mora no mesmo quintal. Perdeu tudo. Na tarde de quinta-feira, saía da ESF da Residência, vizinha de sua casa, onde foi fazer curativo no machucado que ganhou na enchente de terça quando com a corda do varal ajudou uma senhora a sair do posto de saúde. “Eu pedi para ela tirar o carro, mas ela disse que o carro não ligava, estava cheio de água. Improvisei com o varal da minha mãe e conseguimos tirá-la da correnteza”, recorda-se. Felipe também ajudou a retirar servidores do postinho recém-inaugurado pela Prefeitura. Como a auxiliar de serviços gerais Silvana Caetano, 49 anos, que fugiu antes. “Deu pânico, não consegui ficar, fugi desesperada, agarrada no varal”. Por sorte, o varal de Irmã Lia era forte, fio de telefone. No dia seguinte à enchente o ESF Elói Pereira não funcionou. Foi dia de colocar o espaço novamente em condições de atender os moradores. O prejuízo não foi maior porque os servidores conseguiram salvar os medicamentos. “Colocamos tudo para cima, fora do alcance da água”, recorda Ilana Ermida, 32 anos. Ela garante só ter visto algo parecido durante o tempo em que moral na capital do estado. “No Rio já vi. Lá enche. Em Vassouras, nunca vi nada igual”, conta. A Igreja de Nova Vida, vizinha de Lia e do posto de saúde, ficou água a 1 metro e meio de altura. Parte do muro do posto de saúde quebrou. Na casa da Irmã Lia, amigos fizeram um buraco no muro para ajudar a água escoar quando a chuva passou. “Eu não saí de casa, mas ainda não consigo dormir aqui. O mau cheiro é muito forte”. Na rua, outra moradora atesta o relato de Lia. “Enchente deste tamanho nem em 1985, quando um rapaz foi levado pela enxurrada. Desta vez a água veio ainda mais forte”. Nas proximidades, mais gente perdeu tudo. Irmã Lia não é de reclamar. Ajudou o carinho dos vizinhos, dos irmãos de fé e vizinhos e da Secretaria de Obras. “Quinze pessoas vieram aqui em casa nos ajudar a limpar tudo. Até o Marco Aurélio (secretário de Obras Marco Aurélio Salgado) esteve aqui, preocupado com a gente”. Quisemos saber o que ela pediria do poder público. “Eu não sei bem o que deve ser feito, mas espero que façam algo para que isso não aconteça mais. Pediria à Prefeitura para limpar o bueiro, as manilhas, tirar a areia. Acho que isso já me ajudaria muito aqui”.


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