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Projeto espera recuperar nascentes na Fazenda São Luiz da Boa Sorte em cinco anos

• Mata D´Água, baseado na agricultura sintrópica implantada na Bahia por um suíço, foi lançado esta semana​

A Fazenda São Luiz da Boa Sorte lançou na terçafeira, dia 8, um ambicioso projeto de reflorestamento e proteção de nascentes que visa a recuperação, em cinco anos, a recuperação de suas nascentes. O Embrião Mata D´Água é um projeto que segue o conceito de agroflorestal e agricultura sintrópica, implantado na Fazenda Olhos D´Água, em Piraí do Norte, sul da Bahia, pelo suíço Ernst Gotsch, e será coordenado pelo professor e agricultor sintrópico Yuri Diniz. O lançamento do projeto contou com a presença do presidente do Preservale, Nestor Rocha, proprietário da Fazenda, da esposa, a jornalista Liliana Rodriguez, financiadora do projeto e do jornalista Júlio Cesar Rocha coordenador de projetos e eventos da São Luiz da Boa Sorte. Alunos da Escola Americana da Barra da Tijuca, zona oeste da capital fluminense, participaram do evento. O projeto é uma parceria da Fazenda São Luiz da Boa Sorte com a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro. As cinco mil mudas usadas no lançamento vieram do Projeto Replantando Vidas, da Cedae, em que apenados plantam as mudas. A ideia do projeto é recuperar 10 alqueires degradados na fazenda utilizando as técnicas implementas por Gotsch no sul da Bahia. “O Vale do Café é a região mais mal tratada do estado do Rio de Janeiro”, aponta o professor Fábio Freitas, que dá aulas no campus Três Rios da UFRRJ e estará no dia a dia do projeto ao lado da engenheira ambiental ÁgathaTommasi. “O solo da região sofreu com o café e depois com a criação de gado”, explica Freitas. O embrião no nome do projeto tem razão de ser. Nestor Rocha que o trabalho pode ser pioneiro na região e se espalhar por outras propriedades em Vassouras e arredores. “Vamos deixar um legado para a região, para o planeta”, acredita Agatha. Com a parceria, alunos da Rural poderão utilizar a fazenda como laboratório. “A partir da parceria, os alunos terão na fazenda a vivência do que aprendem na academia”, comenta Fábio. O exemplo que vem do sul da Bahia O projeto que recuperou uma imensa área degradada a partir da agricultura sinotrópica e que hoje inspira o Embrião Mata D´Água vem do sul da Bahia, mas a jornada de Ernst Gotsch, esse suíço de 71 anos vem de longe. Nos anos 1970 ele desenvolvia seus primeiros estudos complexos de plantio, em áreas do norte da Suíça e sul da Alemanha. Sempre buscou o caminho entre espécies. Testou as antigas tradições de plantação de milho junto com feijão. E fez novas associações, como trigo e ervilha ou framboesa, maçã e cereja, entre outras. Do sucesso destes experimentos surgiu a ideia de organismo. A partir daí, veio a cooperação e, por fim, a ideia da sucessão, dos sistemas, e tantos outros conceitos que fundamentariam a filosofia e a técnica do agricultor e pesquisador. Em 1979, Gotsch deixa a Europa e, na Costa Rica, realiza trabalhos de recuperação de solos degradados com a implantação de sistemas agroflorestais altamente produtivos, sempre abrindo mão de implementos ou defensivos agrícolas. A experiência na América Central durou pouco. Mudou-se para o Brasil em 1982. Dois anos depois está radicado em uma fazenda no sul da Bahia. O nome da fazenda resumia a realidade local: “Fazenda Fugidos da Terra Seca”. Eram aproximadamente 500 hectares de terra improdutiva por conta de práticas danosas, como o corte de madeira, repetidos ciclos de cultivo de mandioca na encosta dos morros, criação de suínos nas baixadas e formação de pastagens por meio de fogo. Os experimentos do suíço mudaram o panorama da fazenda, que alcançou alta produtividade em grande variedade de espécies vegetais, com destaque para a banana e o cacau. A fazenda é de onde ele tira o sustento da família, mas a consequência de sua intervenção vai muito além. A Mata Atlântica ressurgiu naquele pedaço do sul da Bahia. Hoje são cerca de 410 hectares de área reflorestada, dos quais 350 foram transformados em Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) , além de 120 hectares de Reserva Legal. Com o ressurgimento de 14 nascentes, a fazenda foi rebatizada. Seguindo a tradição cronista do sul da Bahia, chama-se agora Fazenda Olhos d´Água. R e f e r ê n c i a internacional em Sistemas Agroflorestais Sucessionais, Ernst Gotsch desenvolveu uma apurada técnica de plantio cujos princípios e práticas podem ser aplicados a diferentes ecossistemas. “Amazônia, Cerrado, Altiplano Boliviano, Caatinga, eu vi que todos esses lugares podem ser um paraíso quando bem trabalhados”. Com uma visão da agricultura que reconcilia o ser humano com o meio ambiente, Gotsch tem artigos publicados, mas nunca escreveu sobre o conjunto de suas observações, pois acredita que sua pesquisa não está acabada. E, mesmo sobre as conclusões a que já chegou, diz que “não há o que ser dito, pois é óbvio”, com a clareza daquilo que dá certo que, naturalmente, nos salta aos olhos.

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